Ucrânia enfrenta impasse político e financeiro

Ucrânia enfrenta impasse político e financeiro

Após confrontos nas ruas, que provocaram 82 mortos e centenas de feridos, um ex-presidente em fuga, marcação de eleições antecipadas, o país precisa agora de ajuda económica no valor 25 mil milhões.

A Ucrânia enfrenta um duplo impasse: político e financeiro. Segundo o presidente interino, Oleksander Turchynov, o país precisa de 25 mil milhões de euros durante os próximos dois anos. Mas segundo o repórter da Renascença em Kiev, essa necessidade ainda não se reflecte na sociedade.
  
Enquanto na Praça da Independência, onde se viveram momentos de violência, ainda existem barricadas e estão centenas de pessoas, fora do centro da capital, a vida decorrem com normalidade. Os transportes continuam a circular, as lojas estão cheias de produtos e as pessoas vão para o trabalho.

O país precisa de ajuda, mas o primeiro-ministro russo já veio questionar a legitimidade do novo poder ucraniano, afirmando que este surgiu como consequência de um “motim armado”, anunciando que não cumprirá o empréstimo acordado com o ex-chefe de Estado, Viktor Yanukovich. Mas Dimitri Medvedev criticou também a posição da União Europeia, dizendo que é “uma aberração” o facto desta organização internacional ter reconhecido as novas autoridades.

A União Europeia, por seu lado, assegura que vai procurar uma solução para o financiamento necessário em Kiev. A capital da Ucrânia está a ser, segundo o repórter da Renascença, local de passagem para representantes da diplomacia europeia e também norte-americana, que tentam perceber para onde vai a Ucrânia e como pode o país sobreviver tendo em conta as suas necessidades financeiras.

Onde está Viktor Yanukovich?
Mas enquanto Kiev procura formar um novo governo e obter o financiamento necessário para cumprir os seus compromissos, o presidente deposto, Viktor Yanukovich, continua em parte incerta.

Segundo o repórter da Renascença, a indicação mais recente sobre o paradeiro de ex-presidente ucraniano foi dado por um dos seus mais próximos colaboradores, segundo o qual Yanukovich ainda está na Ucrânia.

Outra informações dão conta que no domingo à noite, Yanukovich teria sido visto na Crimeia, península do sul do país, onde está uma importante base naval russa.

Na semana passada, os confrontos nas ruas de Kiev provocaram, pelo menos, 82 mortos e centenas de feridos em protestos contra o presidente Yanukovic. “Snipers” da polícia atiraram contra os manifestantes, por ordem presidencial, e por isso foi emitido um mandado de captura contra Yanukovich, deposto pelo parlamento no passado sábado.

Face à contestação popular, durante o fim-de-semana, os deputados tomaram outras decisões, como libertar a antiga primeira-ministra Yulia Timochenko e a marcar eleições para 25 de Maio.

Crise com mais de três meses
A crise política na Ucrânia começou em finais de Novembro de 2013, quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a decisão do presidente, Viktor Yanukovich, de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e de reforçar as relações com a Rússia.

A situação nas ruas foi-se agravando e, na terça-feira à noite da passada semana, polícia e manifestantes envolveram-se em violentos confrontos na praça Maidan, junto ao Parlamento de Kiev. Apesar das tréguas anunciadas na quarta-feira, a manhã de quinta foi marcada por uma escalada da violência e a morte de, pelo menos, mais 49 pessoas só nesse dia.

As divisões são agravadas também por factores linguísticos, geográficos e religiosos. Os ucranianos que vivem no Leste do país falam russo, pertencem à Igreja Ortodoxa Russa e sentem-se próximos de Moscovo, enquanto os ocidentais tendem a falar ucraniano, ser fiéis da Igreja Ortodoxa da Ucrânia ou Católicos de rito bizantino e sentem-se mais próximos do Ocidente.

Fonte:RR