Papa defende o direito de "não emigrar"

Papa defende o direito de

O Papa Bento XVI defendeu, nesta segunda-feira, 29, a importância de reafirmar, no atual contexto sociopolítico, o direito a “não emigrar”, isto é, a ter condições para permanecer na “própria terra”.

“Hoje vemos que muitas migrações são consequência da precariedade econômica, da carência dos bens essenciais, de calamidades naturais, de guerras e desordens sociais”, escreve o Papa, na mensagem para 99.º Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que a Igreja vai assinalar a 13 de janeiro de 2013.

Neste contexto, acrescenta o texto, a emigração “torna-se um ‘calvário’ de sobrevivência” que leva muitas pessoas a ficarem em “condições de marginalidade e, por vezes, de exploração e privação dos direitos humanos fundamentais”.

A mensagem, intitulada ‘Migrações: peregrinação de fé e de esperança’, dá destaque à questão da imigração ilegal que pode levar ao tráfico e exploração de pessoas, com maior risco para as mulheres e crianças.

“Uma gestão regulamentada dos fluxos migratórios – que não se reduza ao encerramento hermético das fronteiras, ao agravamento das sanções contra os ilegais e à adoção de medidas que desencorajem novas chegadas – poderia pelo menos limitar o perigo de muitos migrantes acabarem vítimas dos referidos tráficos”, indica Bento XVI.

O Papa pede intervenções nos países de origem e “programas orgânicos dos fluxos de entrada legal” nos destinos migratórios, apelando a uma “maior disponibilidade para considerar os casos individuais que requerem intervenções de proteção humanitária bem como de asilo político”.

A mensagem destaca, por outro lado, a importância de promover uma visão positiva sobre as migrações e encorajar os que saem da sua terra a contribuir para o bem-estar dos países de chegada “com suas competências profissionais, o seu património sociocultural e também com o seu testemunho de fé”.

O documento recorda o “desejo de uma vida melhor que anima muitos migrantes, muitas vezes “unido ao intento de ultrapassar o ‘desespero’ de um futuro impossível de construir”.

“Muitos encetam a viagem animados por uma profunda confiança de que Deus não abandona as suas criaturas e de que tal conforto torna mais suportáveis as feridas do desenraizamento e da separação, talvez com a recôndita esperança de um futuro regresso à terra de origem”, acrescenta.

Bento XVI diz que a Igreja deve promover as intervenções de acolhimento que “favorecem e acompanham uma inserção integral dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados”, evitando “o risco do mero assistencialismo”.

“Aqueles que emigram trazem consigo sentimentos de confiança e de esperança que animam e alentam a procura de melhores oportunidades de vida, mas eles não procuram apenas a melhoria da sua condição económica, social ou política”, precisa.