Vaticano: Papa manifesta «vontade firme de prosseguir o caminho do diálogo ecuménico»

Vaticano: Papa manifesta «vontade firme de prosseguir o caminho do diálogo ecuménico»

Francisco recebeu representantes de Igrejas, Comunidades Eclesiais e religiões não cristãs

O Papa afirmou hoje no Vaticano que está determinado em continuar a "causa nobilíssima" do estreitamento de relações entre o catolicismo e as outras Igrejas e comunidades cristãs.

Na audiência a representantes de Igrejas, Comunidades Eclesiais e religiões não cristãs, Francisco manifestou "a vontade firme de prosseguir no caminho do diálogo ecuménico".

"Viver em plenitude" a fé, afirmando-a de maneira "livre, alegre e corajosa", constitui o "melhor serviço à causa da unidade dos cristãos", sublinhou, acrescentando que o testemunho das convicções religiosas deve ser pautado pela "esperança" diante de um mundo "que continua marcado por divisões, contrastes e rivalidades".

Francisco mostrou-se confiante de que é possível manter "proficuamente" o diálogo ecuménico e inter-religioso recomendado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), que proporcionou "não poucos frutos".

A presença na audiência de representantes das tradições não cristãs, a começar pelos muçulmanos, "que adoram o Deus único, vivente e misericordioso", é um sinal "da vontade de crescer na estima recíproca e na cooperação para o bem comum da humanidade".

A Igreja Católica está consciente da importância da "promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de várias tradições religiosas", palavras que Francisco fez questão de repetir.

Os cristãos podem "fazer muito" por quem é "pobre", "fraco" e "sofre", com o objetivo de favorecer "a justiça", a "reconciliação" e a "paz", realçou o Papa.

"Sobretudo devemos ter em conta a sede de absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana segundo a qual o Homem se reduz ao que produz e consome", naquela que é "uma das insídias mais perigosas" de hoje, vincou.

Na "história recente", vincou, tem havido tentativas de "eliminar Deus e o divino do horizonte da humanidade", contrariando o testemunho na sociedade da "abertura à transcendência" inscrita "no coração" do ser humano.

A alocução realçou a "proximidade" com as pessoas que não se reconhecem pertencentes a qualquer tradição religiosa mas que, ao estarem "à procura da verdade, da bondade e da beleza" provenientes de Deus, são "aliados precisos" na defesa da dignidade humana e da paz.

A audiência começou com a intervenção do patriarca ecuménico de Constantinopla, que pela primeira vez desde 1054, ano do cisma com os ortodoxos, esteve presente numa missa de inauguração do ministério de um Papa.

Bartolomeu I expressou, em nome dos presentes, a alegria "de todo o coração" pela eleição "inspirada por Deus" da "amada Santidade" Francisco, "primeiro bispo da venerável Igreja da antiga Roma".

O patriarca recordou que o Papa emérito Bento XVI renunciou ao pontificado com "coragem", depois de se ter distinguido pelo "conhecimento teológico" e pela "caridade".

"A unidade das Igrejas cristãs constitui a primeira e mais importante das nossas preocupações", frisou, antes de apelar à continuação do "diálogo teológico" na "caridade" e na "verdade", em espírito de "humildade e mansidão".

Perante "a crise económica mundial" exige-se uma "ação humanitária", de que o novo Papa tem "grande experiência" graças ao trabalho "de bom samaritano" que desenvolveu na América Latina, onde "experimentou como poucos" o "sofrimento" e a "miséria humana", referiu Bartolomeu I.

RJM